and in the end (pan panranranranran) - como diriam os beatles

 

Este blog - como direi? - está na UTI.

Vim para desligar os aparelhos.

Quem tiver interesse, vá para lá:

www.otrompetistagago.zip.net

Foi um prazer. Continuará sendo.

Rebelião na Zona Fantasma

 

 

O poeta Ademir Assunção batalhou, batalhou e conseguiu lançar o disco Rebelião na Zona Fantasma.

 

Poesia, blues e rock n’roll. Há um ano eu vi Ademir no palco do DirecTV Music Hall (São Paulo) apresentando alguma coisa do disco que, à época, não havia saído. Fiquei bastante curioso, e tão logo o disco foi lançado pedi meu exemplar. Depois eu emprestei e nunca me devolveram, haha. Mas deu tempo de escrever o texto que segue logo abaixo.

 

Antes de ler (ou depois, sei lá):http://zonafantasma.sites.uol.com.br/ é o endereço onde você pode conseguir mais informações sobre o poeta e sua rebelião. Há inclusive alguns arquivos de mp3, para você que não confia na minha indicação.

 

Pedalando uma velha calói eu procuro a Zona Fantasma

Eu estava vestido com minha dor mais elegante quando recebi o cd Rebelião na Zona Fantasma, do poeta Ademir Assunção. Cadeiras quebradas na minha alma. Vasos de flores derramando terra no chão. Porta-retratos lançados contra paredes. Eu, minhas verdades e mentiras e todas as suas conseqüências.

Abro o envelope. Desenho do Paulo Stocker. Humor. & terror. Pego o disco. Mais Stocker. E o aviso: ainda dirão que somos lunáticos. O disco levou quase dez anos para ser feito. Ademir conta que vendeu um carro para bancá-lo. Tudo, como diria o Itamar, às próprias custas. Um grande lunático, esse Ademir. Pousou por aqui e agora uiva de saudade de alguma lua onde as coisas talvez façam sentido. Agora trabalha com um grupo de músicos de primeira, para recriar poemas já publicados e mostrar inéditos.

‘Sou um homem só’, Ademir se apresenta. E o violão solitário de Luiz Waack, como rastros de fumaça no ar da sala. Uma serpente dançando, você não vai conseguir domá-la.

Tive a sensação de que a voz estava alta demais, em relação aos instrumentos, na faixa seguinte, “Escrito a Sangue”. E de que o clima da faixa destoava do poema, que precisava de algo mais heavy. Mas “E então?” vem logo em seguida, e aí tá tudo certo, como diz o Bortolotto. Está todo mundo no mesmo plano, todo mundo provocando. Aparecendo quando preciso, fazendo cama quando preciso. Ao longo do disco, poema oralizado dialoga com música, e também com a forma do poema no papel do encarte (olho vivo, velhinho). A melhor palavra que eu conheço para isso é ORGIA. Não deixe de sacar tudo, e ao mesmo tempo. Se lambuze. Há certas sutilezas de arrepiar a nuca. Saque só “Noite & Dia”. A espacialidade do poema voa no tempo, primeiro da fala, depois da música de Ademir e Madan. E acerta em cheio, no centro de outro homem só, como todo homem.

Eu ainda poderia falar que “O Espinho no Dedo de Deus” me pegou de surpresa, puta beleza (“tenho no corpo as marcas de chernobyl/ tenho no bolso uma bomba que ainda não explodiu”). Ou de “Nada Demais”, que eu há muito tempo trago com carinho na bagagem do coração, e que agora mesmo é que não sai nunca mais da mochila. Poderia falar etcetera e tal. Ou registrar que algumas vezes a entonação da fala de Ademir (me) incomoda. Mas eu realmente estou muito mais interessado em ficar ouvindo o disco.

Ademir Assunção já é aquele sábio cruzando a cidade numa velha calói. Furioso e zen como ninguém. “Quem sabe que sabe não se afoba/ e quem sabe que nada não se afoga”, ele diz, enquanto pedala. Os homens se assustam, mas as crianças acham tudo muito e tão.

O poeta recebe seus convidados, Edvaldo Santana e Zeca Baleiro. Dizer o quê? Contribuições impecáveis. De Madan, Luiz Waak, Ricardo Garcia e quem mais apareceu também. Arte, honey. The wild side. Pessoas sensíveis, enxergando com olhos de anjos. Procurando tocar o outro lado. Você, que está do outro lado. Eu. Se isso não lhe desarmar, se esse tipo de coisa não mexer com sua sensibilidade, é melhor se cuidar, velhinho. Dê uma boa respirada e encare o sol nascendo. Isso vai ajudar.

Ademir Assunção & os meninos rebeldes entram na minha alma e pisam todos os restos no chão. Estilhaçam as sobras. Depois sacodem a poeira dos pés e sentam, calados. Ao meu lado.

ozerodacidade

 

Como eu adoro fazer o que não devo, vou falar de poesia que (1°) não está na internet e (2°) não é visual/sonora.

 

Mas é por uma boa causa.

 

Há algumas semanas fui surpreendido quando visitava o blog do amigo Zema Ribeiro. Abro a página e lá está:

 

um inédito do roberto kenard

[de seu próximo livro, "ozerodacidade", a ser publicado ano que vem]

o vitral
 
anjos confabulam
por trás do branco
 
um rio nasce
e estende sua magreza
 
pombos descem
sobre a estátua comem a tarde

(Leia o poema uma vez mais antes de prosseguir. E agora outra).

A razão da surpresa é o silêncio poético que Kenard tem mantido há muitos anos. Hoje, a política e o jornalismo são seus principais e declarados interesses (Kenard é dono do 3° jornal de maior circulação em São Luis, líder de vendas na cidade de Barreirinhas, interior do estado). Ozerodacidade é apenas um dos livros que ele resolveu manter na gaveta.

Roberto Kenard é um poeta com raro nível de informação e que – mais raro ainda – sabe transformá-la em poesia de primeira. Para mim, que revirei sebos em busca de seus livros (e não encontrei todos, ó desgraça) e abomino a política e seus fiéis, é uma alegria. Ainda mais numa cidade na qual brotam 2 ou 3 poetas cada vez que você respira. Principalmente daqueles que escrevem demais e lêem pouquíssimo. A poesia certeira de Kenard há muito tempo faz falta. Só ele parece não ver.

a palavra do titã

 

Cromossomos

Às vezes penso que Arnaldo Antunes está nos enganando. Ou pelo menos a mim. Isso sempre me vem à mente quando ouço seus discos mais recentes, suas parcerias duvidosas. Não que sejam ruins. OK: não que sejam de todo ruins. Sempre tem uma coisa ou outra que bate e me deixa com a tal sensação: Arnaldo Antunes está me enganando.

 

Se você sabe o que ele fez nos TITÃS (ninguém é TITÃ à toa) ou leu, por exemplo, Dois ou mais corpos no mesmo espaço, livro de inconteste beleza e alto nível de informação estética, entende minha angústia. Aliás, quem ouviu o disco que acompanha esse livro, com o Arnaldo usando o grave poderoso que Deus lhe deu para brincar com a sonoridade de seus poemas, me entende demais. Se não é o seu caso, passe lá. No site. Oficial do Arnaldo. Antunes.

 

Primeiro digite www.arnaldoantunes.com.br. Aí não perca tempo e clique em ARTES, onde você encontrará exemplares de exposições, instalações, artes plásticas e – como não? – poemas visuais do homem.

 

Digressão: a poesia do Arnaldo sempre me pareceu filha da poesia concreta, daquelas filhas lindas e independentes que, claro, orgulham o papai mas, claro, dão aquela dor de cabeça. Poesia concreta? Tópico para outro dia.

 

Digamos que o poeta-músico desdobra e desmembra as conquistas dos concretos, quase um estripador da palavra. Com aqueles olhos esbugalhados (isso é uma metáfora, por favor) e ouvidos atentos (e orelhas enormes, você já viu), ele constrói linguagens. Revela-nos significados ocultos em cada palavra, como a criança diz uma verdade sem quase querer.

 

Sim, voltando.

 

Passe também no link TEXTOS, onde há (poucos mas) bons, adivinhe, textos, do próprio Arnaldo (sobre poesia e música e outros músicos etc) e sobre. Algumas entrevistas também.

 

Para um artista multimídia, como é o caso, é pouco. Por que não disponibilizar as experiências com vídeo do poeta (ou parte deles, pelo menos), ou as experiências com poesia sonora? Esclareceria um pouco mais a sensibilidade plena do poeta.

 

Quer dizer: o site peca. Mas pode ser que desperte curiosidade. É pouco para um artista tão inquieto e multifacetado. Mas é de coração, haha. Deve ser, sei lá.

antes que eu esqueça

 

Well, alguns comentários antes de seguir em frente:

 

UM: Impossível não destacar 2 dos sites do Élson Froés:

 

DOIS: A página oficial do poeta Cláudio Daniel (devidamente linkada) – além de um catatau de poemas (dele que é um dos poetas mais consistentes e bem-informados em atividade), um catatau de ensaios (dele que é um dos ensaístas mais consistentes e bem-informados em atividade) e uma longa entrevista (dele que etc) e muito mais.

 

TRÊS: O Sonetário Brasileiro. Uma aula sobre o SONETO, por Glauco Mattoso. Devidamente linkada também. Não que eu seja grande fã do Glauco Mattoso (que é um importante poeta, e tal, mas não me toca – fazer o quê, questão de temperamento) ou do SONETO (que me causa um mal-estar fisiológico que não consigo explicar), mas é uma senhora aula, ora. Seguida de uma vasta antologia (que vai de Machado de Assis a Pedro Xisto e Arnaldo Antunes).

 

Amanhã ou depois eu sigo em frente.

foi o Elson quem disse

 

Fui lá e mandei o e-mail: foi opção ou falta de opção? Digo, há poucos poetas visuais e sonoros porque há poucos poetas ou o quê? E o Elson respondeu:

"Faltam poetas, sim, por duas razões: desinteresse dos poetas visuais e sonoros em participar de Pop Box e também a baixa qualidade de alguns que se ofereceram. Outros fatores seriam a facilidade dos próprios poetas publicarem seus poemas em Blogs próprios, por exemplo, ou o atrativo de outros portais mais novos e atraentes. O site seria a principio apenas minha homepage (há sete anos faço tudo sozinho!) com os temas de minha preferência, mas fui agregando material alheio por afinidades e ao longo do tempo tornou-se um portal. Por outro lado, priorizei o que veio com mais freqüencia, as traduções e ensaios, e busquei divulgar mini antologias de poesia em verso. Literalmente me deixei levar ao sabor dos acontecimentos. A intenção foi desfocar de minha pessoa para o coletivo. Ainda quero fazer uma grande revisão no site e dar um show na poesia visual e sonora. Aguarde..."

Grifos meus, viu? O Elson também mandou links de sites que ele construiu. Que são esses aqui embaixo. Depois comento e linko aí do lado.

MAGNETO DIVULGAÇÃO CULTURAL
http://paginas.terra.com.br/arte/PopBox/magneto

  

GLAUCO MATTOSO SITE OFICIAL
http://glaucomattoso.sites.uol.com.br

 

GLAUCO MATTOSO OFFICIAL SITE
http://formattoso.sites.uol.com.br

 

CLAUDIO DANIEL HOME PAGE
http://daniel.claudio.sites.uol.com.br

 

MANOEL NETO, ARTISTA PLÁSTICO
http://planeta.terra.com.br/arte/PopBox/mneto

 

SONETÁRIO BRASILEIRO
http://planeta.terra.com.br/arte/PopBox/sonetario

CAIXA FORRADA DE LETRAS E UM LEMINSKI

 

 

Élson Froés é poeta. Publicou os e-books Poemas Galegos e Poemas Traduzidos em 2000. Publicou antes (1992) e em papel o livro Folhas Avulsas. Também colaborou com diversas revistas literárias como Dimensão, Tsé=Tsé e Medusa. E é autor do poema acima. Isso também.

 

Élson Froés é o poeta responsável por dois dos grandes sites em português dedicados à poesia.

 

O primeiro: dedicado a um dos poetas mais expressivos da segunda metade do século XX, a besta dos pinheirais, o cachorrolouco etc: Paulo Leminski. Em Kamiquase é possível encontrar dezenas de poemas do polaco (alguns inéditos, outros transformados em animações pelo próprio Élson, outros apenas poemas, o que não é pouco, claro), ensaios sobre o poeta, ensaios do poeta (Leminski, gente, Leminski), homenagens, informações sobre seu trabalho em TV, HQ, música e grafite, traduções e chega, né? Para novos e nada novos leitores. Para quem nunca encontrou as raras edições de seus primeiros livros. Para quem não conhece as traduções que fez de James Joyce ou Samuel Beckett ou seus livros de ensaios, para quem não conhece nada e quer dar uma sacada.

 

O segundo: POP BOX. No ar há 7 anos, 7 meses e 28 dias (corrijam-me se estiver errado), reúne uma quantidade expressiva de ensaios e entrevistas e poemas e poemas traduzidos e poemas no original e informações sobre porrada de poetas.

 

Além disso: em POP BOX há um espaço dedicado à poesia visual do próprio Élson (também do poeta Andrey Rastrigini) e alguns arquivos de poesia sonora em Real Áudio. Este parece ser o espaço mais parcamente atualizado do site. É uma pena que não haja mais poetas visuais registrados. Pena também que haja mais clássicos de poesia sonora (registros clássicos, como o “a rose is a rose is a rose” da Gertrude Stein, ou o Zangezi, do Khlébnikov) que poetas RESPIRANTES (porque VIVOS os antigos e finados, desde que bons, também estão).

 

É o caso de saber se o problema é a escassez de material (e, portanto, de interesse por parte dos RESPIRANTES) ou o quê. Saindo daqui eu mando um e-mail pro Élson e pergunto. Agora esqueça este texto e clique nos links aí do lado, ora essa.

a ópera

Well, há quase um ano eu e uma dúzia de figuras de meia dúzia de estados do Brasil nos conhecemos na sede do Itaú Cultural, em São Paulo. E passamos o ano em contato, discutindo e produzindo e testando possibilidades de se fazer um jornalismo cultural nutritivo. A partir daqui testaremos os temperos, cada um na panela do seu blog.

: :barulhos: : ruídos, música de martelo. Poesia visual e sonora produzida e publicada na internet.

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